A trajetória musical de Adrian Freedman foi inspirada em tradições musicais de todo o mundo. Aqui, ele descreve suas experiências com a música Zen shakuhachi no Japão e os rituais de cura nas florestas tropicais amazônicas do Brasil.

Além da jornada musical da minha vida, houve também uma busca espiritual e, ao lado de muitos concertos e gravações profissionais, sempre tive interesse pelo mundo da música para meditação, música para prática devocional, música para rituais e cerimônias sagradas, e música para a cura.

Durante minha fase de crescimento, nas décadas de 1970 e 80, tinha ansiedade para poder tocar qualquer tipo de música que pudesse encontrar — desde jazz à música folclórica celta; das sonatas barrocas à música orquestral de vanguarda.

Sempre fui atraído também pelos sons misteriosos de lugares distantes. O termo “world music” ainda não tinha sido criado, e as gravações de todo o mundo estavam, em sua maioria, escondidas em bibliotecas de música.

Quando me deparei com os sons da música tradicional japonesa, senti uma atração instantânea. Mesmo que os sons viessem de uma cultura tão distante, eles eram familiares de alguma forma. Mais tarde, passaria sete anos morando em Kyoto, a antiga capital do Japão, onde me aprofundei nos estudos do shakuhachi — a flauta de bambu Zen. Tive a sorte de ter um grande professor — Yokoyama Katsuya, o mestre na arte do shakuhachi.

Tocar o shakuhachi é uma atividade muito solitária. Longas horas sentando-se calmamente com as pernas cruzadas em uma almofada, tocando as mesmas notas longas repetidamente, indo mais fundo a cada respiração…  penetrando através do som para alcançar o que está além do som… o Ma — o grande silêncio a partir do qual todos os sons ascendem e descendem.

Um dia, quando eu ainda estava morando no Japão, imerso nesta prática contemplativa do shakuhachi, e também envolvido em colaborações musicais com muitos outros músicos, conheci alguns cantores brasileiros oriundos de uma comunidade espiritual situada na floresta amazônica. Eles me convidaram a participar das cerimônias sagradas que estavam celebrando em Kyoto, e a partir deste encontro, uma nova dimensão musical surgiu para mim – a música sagrada e simples dos rituais de cura da floresta.

A música dos antigos shakuhachi e a música dos rituais sagrados brasileiros são arraigadas em tradições, mas não deixam de estar abertas a novas possibilidades. Tradições como essas fluem livremente como um rio, permitindo que a inovação e a renovação surjam, à medida que a nova música flui naturalmente a partir das velhas formas.

Depois de muitos anos absorvido pela música da cultura japonesa, deixei o Japão para ir morar no Brasil, onde iniciei um caminho pessoal de cura e prática espiritual, participando de rituais na floresta onde a música e o canto desempenham um papel central. O tempo que passei no Brasil também trouxe percepções mais profundas sobre minha compreensão da música zen do Japão e dos aspectos meditativos, de cura e devocionais da música em geral.

A música dos antigos shakuhachi e a música dos rituais sagrados brasileiros são arraigadas em tradições, mas não deixam de estar abertas a novas possibilidades. Tradições como essas fluem livremente como um rio, permitindo que a inovação e a renovação surjam, à medida que a nova música flui naturalmente a partir das velhas formas.

A mensagem da minha música evoluiu conforme a evolução do meu aprendizado e da minha jornada em busca da cura. De um modo geral, poderia dizer que é uma mensagem destinada ao tempo em que vivemos. Talvez seja necessário abrirmos nossos corações e termos consciência das suas vibrações sutis e da sabedoria simples que se abriga dentro deles. De dentro deles sai um som que cura, que traz paz e tranquilidade, que purifica e eleva… uma música acústica transcendental.

O termo “música acústica transcendental” descreve perfeitamente um novo gênero de música que nasce de um casamento entre world music, música de meditação, música sacra e as sutilezas refinadas do som e do silêncio Zen.

Os projetos atuais incluem vários novos álbuns:

As I Breathe

Um novo álbum de música meditativa para shakuhachi solo e outros instrumentos. Esoh and Ema.

Night Journey

Uma colaboração com o violoncelista Matthew Barley. Tons, melodias e harmonias amplas e sonoras, improvisadas em um fluxo lírico.

Lotus Rising

Uma coletânea de mais de 50 novas canções medicina e mantras. Uma gravação solo, com apenas a voz e o violão de Adrian.

Featuring Adrian’s solo voice and guitar

Waters of the Heart

Um novo álbum de música original sobre um tema meditativo inspirado em água. Destinado ao movimento chamado 5 Rhythms e outras formas de meditação em movimento.

Este álbum é um trabalho ainda em andamento..